terça-feira, 1 de abril de 2014

Eu, inteira

Uma pergunta se transformou num desafio porque busquei no meu passado e reli meus poemas guardados.
Por que não escrever poesia?
De vez em quando me bate aquela vontade de ler poesia, assim como me bate uma vontade de comer macarrão.
Este espaço no meu Blog é o resultado de mais um projeto concluído.
Eu, inteira - porque não tem como escrever versos e não se doar e não ser transparente. 
As palavras registram o que vem do coração.
Recoloco "A Paixão pela Poesia" , um trabalho feito para um concurso de redação. Não fui classificada, mas a redação é o meu prêmio!

A Paixão pela Poesia


A poesia é mesmo envolvente: desperta em nós, seus admiradores, a paixão. Ela consegue buscar no profundo do nosso ser os sentimentos mais bem guardados, ela consegue tocar, com sua voz, as partes mais bem trancadas do nosso coração.
Desde o primeiro encontro com a poesia, um sentimento forte já surge e depois de novos encontros a paixão vem e nos domina.
Por que a paixão? Porque a poesia é capaz de traduzir em seus versos os mais variados sentimentos. Ela é capaz de definir romance e desamor, descrever fome e guerra, conduzir corações à paz. Com versos precisos pode externar toda a dor do coração de alguém, pode traduzir com palavras as lágrimas derramadas por um coração entristecido, consegue penetrar na vida de alguém e ensinar a sentir. A poesia tem seus poderes, sua mágica... Será mágica? Não, simplesmente os versos que temos escritos nos livros, se lidos, são capazes de colocar diante do homem cenários e sentimentos transformadores, resgatadores. Não são mágicos, mas sim resgatadores. A poesia consegue resgatar o que está enterrado no coração da maioria dos homens. Ela pode servir de cura para corações endurecidos, cheios de desamor e egoísmo. A poesia mostra um novo mundo, revela esperança, muda o colorido do mundo.
Como não ter paixão pela poesia? Por ela que nos faz sentir o coração bater mais forte ao ler, num encontro sossegado, linhas escritas por alguém que vê o mundo com outros olhos, que sabe encantar ao falar de amor e consegue extrair sentimentos nobres ao falar de dor. Como não ter paixão! A cada encontro com a poesia nossa admiração tende a crescer e a paixão a se solidificar.
Ao longo do tempo homens e mulheres têm se dedicado a compor versos, são pessoas que acreditam que a poesia é o amor em versos, são pessoas que vêem o mundo com outros olhos, são pessoas que tendo papel e caneta registram os acontecimentos com olhos de poeta. E nós somos os privilegiados por termos ao nosso alcance companheiros de muitas épocas nos livros. Podemos desfrutar da poesia hebraica registrada na Bíblia, no livro de Salmos e alimentar nossa alma com as palavras do poeta: Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. Podemos aprender sobre o amor nos versos de Tomás Antônio Gonzaga, em Marília de Dirceu: No tronco dum freixo / Que viçoso vi, / Quis gravar “amor” / Marília escrevi ou com Vinícius de Morais em seu Soneto do Amor Total: Amo-te enfim, de calmo amor prestante, / e te amo além, presente na saudade / Amo-te enfim, com grande liberdade / Dentro da eternidade e a cada instante. Podemos passear pelas nossas lembranças com Guilherme de Almeida em “Barcos de Papel”: Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles, / que não são barcos de ouro os meus ideais: / são feitos de papel, são como aqueles, / perfeitamente iguais... / Que os meus barquinhos lá se foram eles! / Foram-se embora e não voltaram mais! ou com Casimiro de Abreu em Meus Oito Anos, ele que falou tanto de saudades: Oh que saudades que tenho / Da aurora da minha vida, / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais! / Que amor, que sonhos, que flores, / Naquelas tardes fagueiras, / À sombra das bananeiras, / Debaixo dos laranjais!
E depois de muitos encontros com ela, a poesia, sendo expressa de várias formas e por muitos corações, o poeta que há em mim é despertado. E como poeta apaixonado pelo que justifica meu nome de poeta, posso enfim colocar no papel o meu mundo, meu coração, minhas lágrimas, o meu viver.
A paixão pela poesia leva o poeta a traduzir o imaginário, a descrever mundos, acontecimentos tirados a partir da realidade vista sob a ótica de um apaixonado. A poesia não pode ser medida, mas ao ouvi-la sabemos emitir nossa apreciação, sentir sua grandeza e sabemos externar onde foi que ela conseguiu nos tocar.
Versos são capazes de descortinar novos mundos, de nos transportar em viagens pelos portais do imaginário. E ainda existem aqueles poetas que adicionam as notas musicais compondo melodias, a poesia cantada. Em nossa literatura e em nosso acervo musical encontramos especialistas em despertar paixões. Dizer que “meu coração bate feliz quando te vê e os meus olhos ficam sorrindo e pelas ruas vão te seguindo” é lindo, mas temperado com melodia fica irresistível. Ficamos encantados e apaixonados quando ouvimos nas canções declarações de amor como: ”Eu sei que vou te amar, por toda a minha vida eu vou te amar” ou aquele inconseqüente enamorado que diz: “por você vou roubar os anéis de Saturno”. Sentimos o coração estremecer quando ouvimos os versos que falam que a saudade é uma palavra triste e sentimos o coração se entristecer quando ouvimos o poeta cantar: “Ah, eu vim aqui amor, só prá me despedir e as últimas palavras desse nosso amor, você vai ter que ouvir...” É quase impossível ouvir os versos de um poeta e não sentir o coração pulsar mais depressa, não enxergar o mundo com um colorido diferente.
Oswald de Andrade explica o poder da poesia dizendo: Aprendi com meu filho de dez anos / Que a poesia é a descoberta / Das coisas que eu nunca vi. A paixão pela poesia nasce porque ela atinge nossa sensibilidade, nossa mente registra e nosso coração compreende. A poesia é indiscreta, revela segredos inconfessáveis do autor que sempre ou quase sempre coincidem com os de algum leitor, fazendo-o se render, querendo sempre ler mais. Ela é discreta ao descrever o feio e triste, fazendo-os parecer diferentes. A poesia é conquistadora, divertida e emocionante! Ela consegue buscar no profundo do nosso ser os sentimentos mais bem guardados.
A poesia, “a arte de escrever em versos”, é apaixonante, pois só ela é capaz de estender os limites do meu mundo, aumentar os horizontes que meus olhos alcançam até o infinito, até onde a paixão me levar


                                                                              

Eu,                   
              Inteira

Jussara Ambrósio de Melo Perpétuo



Por que não escrever poesia?

A poesia é o amor em versos.
E na vida experimentamos o amor,
Todo dia.

Será?

Depende dos seus olhos.

Os meus agora, enxergam.
Meus olhos não são míopes para o amor.

Por que não escrever poesia?

Por que não?

Por que a primeira hora de escrever poesia passou, mas veio  a segunda hora,
uma  nova chance que chegou!

Meus olhos não são mais míopes,
Vejo todo dia  o amor!
Posso fazer versos, na poesia, o amor.
Janeiro, 2014





MEU DENTISTA

É um quarto estranho, diferente
Não existem camas nem armários
Que estranho! Pra que serve?
Ah! E existem alguns talheres estranhos!
E ainda tem geladeira!

Talvez essa tenha sido a minha impressão,
A primeira, do dentista.

Um  dia meu dente gritou!
Gritava, gritava sem parar!
Então alguém falou para ao dentista me levar.
Dentista? Quem será? Pensei
Fiquei a imaginar...
Minha mente não foi capaz de adivinhar
Por isso, então, perguntei:
___ Mamãe, quem é o dentista?
Saber foi interessante,
Que ele é o médico do dente.
E assim, levaram-me ao dentista.

Foi assim, então, que descobri
Que aquele quarto estranho aqui
É o consultório do dentista.

E foi com uma alegria imensa que descobri
Que o dentista que iria cuidar
 Do meu pobre dente que doía


Era o meu próprio pai.


Terra, pátria amada

Nosso planeta é a Terra.
Onde pisamos é terra e moramos sobre terra.
Andando por ai,
namorando montanhas,
observando os vários tons de verde que envolvem a terra,
vendo as variações das paisagens,
valorizo a terra.
Sustento e beleza brotam dela!

Andando por ai,
Observando esquinas e becos,
vejo que a terra chora.
Um pranto doído chega aos meus ouvidos,
um lamento que me entristece.
Meu coração machucado pergunta:
- Como o homem pode fazer tão mal a si mesmo, maltratando a terra?
Lixo, desmatamento, muito cimento e asfalto...
É a presença do homem.
É a presença de um homem que não ama a terra.

Terra, pátria amada!
Terra, minha cidade,
meu berço, onde deixei raízes.
Raízes que aquela boa terra tão bem cuidou!
Terra de outras cidades onde vivi,
onde plantei, fatos e flores.
Até uma árvore plantei!
Dos fatos colhi amigos,
das flores o perfume,
da árvore colhi frutos.

Terra que te quero fértil!
Terra que te quero verde!
produzindo tudo,
alimentando todos,
enfeitando o mundo.